BAÚ | Tem estado ali, no fundo da memória. Um baú empalhado. Deus fez o baú. Deus fez o fecho. Deus fez os dedos. Vê-se uma disquete, assim uma coisa espalmada de pôr nos computadores antigos. Há também uma ficha do sindicato dos jornalistas. E uma cassete com uma entrevista concedida por Mário Soares, em 17 de abril de 1998. E muitas outras cassetes. Há um caderninho de capa dura – um dos primeiros. Costumava comprá-los numa tabacaria de esquina, numa rua paralela à Avenida da Liberdade. Eles agasalham segredos confiados pelas fontes mais insondáveis. Segredos de conversas no Snob e na zona privada do D. Pedro V. Dentro de um carro estacionado na Avenida de Roma. Num bar anódino do aeroporto. No r/c do Sheraton. Numa pequena confeitaria do Bairro Alto. Hoje estão dentro do baú. E às vezes parece que os ouço sussurrar e viro-lhes as costas, porque os segredos não se contam.

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